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Iraque e do Afeganistão: guerras de US$ 1 trilhão
19/6/2010
Os Estados Unidos têm novo marco em sua história de guerras. Às dez horas e seis minutos do dia 30 de maio de 2010, as guerras do Iraque e do Afeganistão fecharam suas contas com gastos totalizando US$ trilhão. Encaixe brutal num deficit fiscal que se torna insuportável mesmo para a maior economia do mundo. A do Afeganistão já tem o registro histórico de a mais longa (nove anos) guerra travada pelos Estados Unidos e é agora conduzida, em última instância, por um presidente que se elegeu com uma plataforma antiguerra. A sangria não para em homens e dólares.
O presidente Barack Obama pediu ao Congresso a aprovação de crédito suplementar de emergência, para a guerra no Afeganistão, de US$ 33 bilhões. O candidato Obama prometera, tendo em vista a carga insuportável do deficit fiscal americano, que qualquer verba adicional para as duas guerras, heranças malditas deixadas por Bush, seriam retiradas do orçamento. Não é o que acontece.
Os US$ 33 bilhões, disse com amargura um colunista do Washington Post, poderiam ser empregados na construção de escolas, pontes, em pavimentação de estradas. Também poderiam livrar do peso da receita federal americanos com ganhos de até US$ 35 mil por ano.
Em vez disso, é relembrado o 1984 de George Orwell, algo como os Estados Unidos envolvidos em guerras sem fim. “Bush nunca explicou de modo decente por que invadimos o Iraque, Obama não explica de modo convincente a razão da escalada no Afeganistão”, reclamou outro colunista americano tido como liberal, logo anti-Bush e pró-Obama e, mesmo assim, já com graus inquietantes de insatisfação.
Foram mortos em combate no Afeganistão este ano mais de 250 soldados da Otan. Os Estados Unidos arcam, é claro, porque partiu deles a invasão, com a maior carga dessas perdas humanas, mais do dobro de tombados no mesmo período do ano passado. Só numa semana foram mais de vinte, vítimas de uma causa que já soa como perdida, sobretudo entre europeus.
O novo primeiro-ministro inglês, o conservador James Cameron, visitou o Afeganistão e afirmou que não se coloca, “nem remotamente”, o envio de mais soldados. Declaração tomada como manifestação de desencanto. Os ingleses já caíram fora do Iraque e a guerra do Afeganistão volta suas baterias contra Washington. Um ex-chefe da inteligência afegã disse que seu governo já não acredita numa vitória militar da coligação liderada pelos americanos.
O presidente do país invadido, colocado no poder pelos invasores, tornou-se um aliado incômodo, acusado de fraude eleitoral, corrupção e nepotismo. Mas é o único aliado disponível. Mesmo ele já pula fora, como se estivesse admitindo que os milicianos islâmicos Talibãs, expulsos do poder pelos americanos por darem abrigo a Bin Laden, podem estar de volta.
Bin Laden, o alvo maior, nunca foi encontrado. A ofensiva que o Pentágono define como capaz de afetar os futuros movimentos de suas tropas, é “caso único” “na história militar”, segundo o general McCrystal, comandante da coligação. O que isso significa pode encontrar resposta na declaração de um agente da United States Agency for International Development”, a Usaid.
Ela despeja dólares na região onde os estrategistas americanos consideram que é travada a batalha decisiva. “Estamos empenhados num esforço maciço de compra dos afegãos, com o objetivo de fazer com que eles deixem de nos combater”, disse o um agente da Usaid. Agricultores, por exemplo, ganham sementes e fertilizantes.
Mesmo assim, os americanos tiveram de amargar ataque com foguetes contra sua maior base aérea numa das duas províncias-chaves, enquanto no seio do governo Obama começam a formar-se divisões entre falcões e pombos, entre uma linha dura e outra pacifista. O vice-presidente Joe Biden foi contra o envio de mais tropas ao Afeganistão. “Não vai adiantar de nada”, disse.
Contra ele se levantaram o secretário de Defesa, Robert Gates, com um passado de serviços na CIA, e Hillary Clinton, secretária de Estado. Biden garante, sem o ava
Fonte: Correio Braziliense |