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Para onde vai o euro?
18/6/2010

A crise econômico-financeira que afeta boa parte dos países integrantes da zona do euro começa a contaminar a credibilidade da moeda entre os cidadãos da própria área da união monetária.

Aqui e ali, movimentos contra o euro, inimagináveis há menos de um ano, têm surgido com grande repercussão. Em Berlim, ganha destaque uma campanha popular pela volta do marco alemão. A indignação da opinião pública contra a ajuda financeira concedida à Grécia é geral e já atinge fortemente a reputação política da presidente Angela Merkel e dos dirigentes da União Europeia. Os cidadãos alemães já pagaram caro, nos últimos anos, pela unificação do país, pela política interna de aumento de produtividade e pelas restrições impostas às aposentadorias e não estão satisfeitos em assumir mais um custo que, a rigor, não lhes diz respeito.

Em Portugal, a revista semanal "Sábado" desta semana traz um artigo interessante com as várias implicações da ressurreição do escudo. Sob o título "Viver sem o euro", aponta, entre as vantagens, para o aumento de competitividade das exportações. Resultaria da desvalorização imediata do escudo, estimada por especialistas entre 30% e 40% com relação ao euro.

Entre as desvantagens, está obviamente a inflação, uma vez que a volta da moeda velha implicaria no aumento do custo da importação de produtos básicos para o consumo interno, como arroz, leite e carne, entre outros. Essas questões também afetariam a peseta espanhola, a dracma grega, a lira italiana ou a libra irlandesa se a temerosa ideia de reintrodução das moedas velhas viesse a ser implementada. Isso, sem mencionar a tremenda crise bancária que o abandono do euro por alguns países provocaria, em especial nos bancos alemães que estão abarrotados de ativos do chamado Met Club, como passou a ser denominado o grupo de países da zona do euro banhados pelo Mediterrâneo. Portugal estaria geograficamente fora, mas pelas características está incluído no mesmo clube.

Já não há dúvidas, após a crise da Grécia, sobre a culpa da frouxidão com que os dirigentes máximos da UE monitoraram os limites impostos ao déficit fiscal e à dívida pública, algumas das condições mais importantes para a adesão e permanência como membro da política monetária unificada.

Fica claro também que há um buraco negro difícil de transpor entre a unificação monetária e a unificação política da UE, mas algo precisa ser feito porque as discrepâncias entre os mais ricos e os mais pobres são imensas. Neste mês, um texto de dois economistas do Departamento Europeu do FMI chama atenção para o largo e crescente déficit nas contas correntes do Met Club. "Current Account Imbalances in the Southern Euro Area" ("Desequilíbrios da conta corrente na Área Sul do Euro"), de Florence Jaumotte e Piyaporn Sodsriwiboon, mostra que aqueles déficits têm sido causados pelo declínio na taxa de poupança privada. Essa situação teria sido estimulada pela adesão ao euro que, ao facilitar os investimentos e aumentar o acesso à poupança externa, induziu a maiores déficits em conta corrente.

Como países da área sul do euro os autores classificam Chipre, Grécia, Itália, Malta, Portugal, Eslovênia e Espanha. Na média, a taxa de poupança privada caiu o equivalente a 10% do PIB entre 1994 e 2008, enquanto que as taxas de investimentos subiram, em média, 2% do PIB (boa parte na construção civil que não ajuda nas trocas externas) e as taxas de poupança pública aumentaram em cerca de 2% do PIB no período. O déficit em conta corrente - pulou de um superávit de 0,1% do PIB, em média, em 1994, para déficit de até 10% do PIB em 2008 - foi agravado com a deterioração das balanças comerciais daqueles países pela perda de competitividade.

Por falta de eficiência naquelas economias e altos custos da mão de obra em euros, a nova moeda funcionou nos países do Met Club com forte apreciação cambial efetiva desde o final dos anos 90. Considerando os índices de preços, aqueles países incorreram em apreciações reais que variam

Fonte: Valor Econômico

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