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Banco do Brasil começou a venda de ações para se capitalizar
22/6/2010
Pequeno investidor pode comprar os papéis a partir de R$ 1 mil
O Banco do Brasil iniciou ontem o seu processo de capitalização, para levantar no mercado R$ 9,7 bilhões. O objetivo é expandir a oferta de crédito e fazer aquisições. O BB permitirá que os pequenos investidores, brasileiros ou estrangeiros, comprem até R$ 560 milhões em ações do banco. A reserva dos papéis vai até o dia 28, e poderá ser feita a partir de R$ 1 mil.
Pequeno investidor poderá arcar com R$ 560 milhões das ofertas, que visam à capitalização e dividem analistas
Começou o período das reservas de ações das duas ofertas públicas do Banco do Brasil (BB) para investidores em geral e atuais acionistas da instituição, primeiro passo das badaladas operações que devem movimentar somadas R$ 9,7 bilhões no mercado.
Os pequenos investidores pessoas físicas e jurídicas — brasileiros ou estrangeiros — poderão comprar no mínimo mil reais e no máximo R$ 300 mil em ações do banco, que separou de 10% a 30% da oferta secundária (de papéis existentes) para pequenos aplicadores. Com isso, investidores de menor porte poderão arcar com até R$ 560 milhões da operação, com base no preço de R$ 27,22 da ação do BB na sexta-feira.
Serão duas ofertas: uma primária, com a venda de novos papéis, na qual apenas atuais acionistas podem participar; e outra secundária, com ações já existentes, em poder dos controladores do banco, que estará aberta a todos investidores.
Na oferta primária, o banco vai oferecer 286 milhões de ações, ou um pouco mais de 11% de seu capital total. Somente quem tinha ações do BB até 24 de maio deste ano tem direito a reservar a compra, que termina quartafeira.
Neste caso, não existe valor mínimo e máximo na operação: os investidores terão direito a comprar papéis com base em uma proporção a ser definida sobre as ações que já detém. O BB quer engordar seu caixa em R$ 7,8 bilhões nessa oferta.
Ao mesmo tempo, a União e o BNDESPar, controladores do banco, vão se desfazer juntos de 70,8 milhões de ações do banco, a chamada oferta secundária.
Nesta operação, em que todos podem participar, as reservas começam hoje e terminam no próximo dia 28. Desta vez, correntistas não terão reservados parte da oferta. O investimento mínimo será de mil reais. A oferta deve movimentar R$ 1,9 bilhão.
Mas, neste caso, os recursos vão diretamente para o caixa dos acionistas, e não do BB.
No prospecto, banco admite ingerência política Caso haja “sobras” na oferta primária de ações — ou seja, se nem todos os atuais acionistas do banco acompanharem a operação —, a compra desses papéis será aberta para todos os investidores interessados.
Mas acredita-se no mercado que não haverá sobras.
Pelas contas de uma corretora, quem tem mil ações do BB (que valem em torno de R$ 27 mil) precisará comprar cerca de 82 novas ações para não ter sua participação diluída, ou cerca de R$ 2,2 mil considerando o preço de sexta-feira.
Investidores têm demonstrado interesse nas ofertas, mas analistas seguem divididos. Parte deles entende que o banco é sólido e as ações têm potencial para crescer 30% nos próximos meses. Outra parcela acredita que bancos privados são uma opção menos arriscada, principalmente por causa da ingerência do governo na estatal.
Para João Augusto Salles, analista da Lopes Filho, o BB tem riscos aos acionistas, concentrado na interferência do governo na administração do banco.
Isso aconteceu, por exemplo, durante a crise financeira global iniciada em setembro de 2008, com a quebra do banco americano Lehman Brothers. Para amenizar os efeitos da turbulência no mercado brasileiro, o BB teve que baratear e aumentar a oferta de crédito no país, além de comprar carteiras de bancos pequenos e médios em dificuldades ao longo de 2009.
— Essa política deu certo e o BB aumentou sua participação no mercado. Palmas para o governo.
Mas poderia ter dado errado. E o mercado não gosta dessas incertezas — diz Salles.
No prospecto da ofe
Fonte: O Globo |