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Fabricantes trocam trator por colheitadeira
22/6/2010
Duas das maiores fabricantes de tratores do País - a New Holland e a Massey Ferguson - buscam a mesma estratégia para ganhar receita: aumentar o porcentual das colheitadeiras no "mix" de produtos. As duas empresas dependem fortemente dos tratores de até 100 cavalos de potência, justamente os mais baratos do mercado, com preço até R$ 100 mil. Uma colheitadeira é vendida por pelo menos quatro vezes mais.
O vice-presidente da New Holland para a América Latina, Francesco Pallaro, explica que a ideia é buscar maior rentabilidade por unidade, como fazem a norte-americana John Deere e a Case (que, como a New Holland, faz parte do grupo Fiat). Em março, a companhia reativou uma unidade de colheitadeiras em Sorocaba (SP), parte do programa de investimento de R$ 1,3 bilhão para o período 2007-2011.
O diretor de produtos do grupo Agco - das marcas Massey Ferguson e Valtra -, Jak Torretta, informa que a empresa persegue maior participação das colheitadeiras nas vendas totais - hoje, 80% da receita da Massey vêm de tratores de pequeno porte. Segundo ele, embora o faturamento das colheitadeiras Massey seja relativamente pequeno, a empresa tem décadas de tradição neste mercado. A Valtra fabrica o produto desde 2007.
Vendas. A importância relativa do Brasil no faturamento total da New Holland vai aumentar nos próximos anos. Conforme o executivo, a América Latina representava 8% das receitas da matriz há dez anos. Hoje, essa relação está em 15%, e a expectativa é que a região atinja 20% das vendas em cinco anos. Como o Brasil responde por 70% das receitas latino-americanas, o País deverá representar 14% do negócio da empresa do grupo Fiat no mundo até 2015.
De acordo com Pallaro, essa realidade se reflete em um menor nível de exportações da produção nacional: neste ano, 85% das máquinas feitas localmente devem permanecer no País - antes, pelo menos 30% das máquinas eram exportadas. "Acho que o potencial que visualizamos para o mercado brasileiro agora está acontecendo", diz o vice-presidente da New Holland para a América Latina.
Na Massey, as exportações também diminuíram, caindo de 50% para 30% da produção. Segundo Torretta, porém, a redução reflete menos o desenvolvimento do Brasil e mais o real valorizado, que dificulta a competitividade na América Latina.
Fonte: O Estado de S. Paulo |